
Aos poucos sinto a minha vida a mudar. Finalmente parece ganhar os contornos com que sempre sonhei. Inesperadamente as coisas começam a aparecer. Mas não caem do céu, eu luto diariamente por elas. E começo a acreditar na “lei” de que quem luta sempre consegue alcançar os seus objectivos/sonhos.
Desde pequenino que sonhava morar em Lisboa. O Tejo… quem ama Lisboa sabe do que eu falo, o Tejo tem um brilho que mais nenhum rio tem; os bairros típicos de Lisboa têm um aroma diferente; e o movimento, a vida que existe, faz-nos sonhar a toda a hora.
O ano passado, neste mesmo dia, comemoravam-se as 7 maravilhas do mundo. Lembro-me perfeitamente onde passei esse dia: acordei às 6h nesse sábado e durante toda a manhã fui trabalhar. Dormi a tarde toda, tentava descansar as pernas doridas do esforço da semana e o cérebro que parecia poder entrar em colapso no minuto seguinte. Acordei novamente por volta das 18h e fui escrever um poema, para matar as saudades que tinha do meu primo. Um primo que amo como um filho e que a estupidez humana me impediu de ver no dia 10 de Junho, o dia do seu próprio aniversário. O João Paulo não sabia e, na inocência dos seus frescos 9 anos, perguntou-me porque não o ia ver no dia do seu aniversário. Eu disse que tinha que trabalhar. Mas não. Simplesmente as únicas pessoas que me podiam dar a felicidade de o ver, tinham-me negado essa possibilidade. Isso eu não esqueço. Nunca. Como não esqueço o fim de tarde do dia 07 de Julho de 2007: enquanto escrevia sobre o João Paulo as lágrimas corriam-me desenfreadamente pelo rosto. Lembro-me que usei um rolo inteiro de papel higiénico para limpar as lágrimas. Um rolo inteiro. Subitamente, começo a ouvir uns passos fortes e pesados a subir em direcção ao meu quarto. Enquanto limpo atrapalhadamente as lágrimas alguém abriu a porta e me perguntou: “o que se passa?”. Eu respondi “nada!” mas apetecia-me responder “tu sabes bem o que se passa!”.
Nessa noite lembro-me de olhar o tecto do meu quarto em busca do melhor ponto para acabar com aquele sofrimento. Durante cerca de uma hora fiz cálculos a tentar perceber se o candeeiro aguentava com o meu peso. É verdade, eu estava a entrar em paranóia.
Não quis acreditar quando não entrei na faculdade em Lisboa por apenas 1 décima. “Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar” era só o que me vinha à cabeça! Mas teria Rui Veloso razão? Eu sabia que não, porque eu sei do que sou feito. Sei que tenho em mim uma força de alma enorme que pode conquistar o mundo… eu arrisquei a minha vida, o meu futuro mas queria mostrar a toda a gente que era capaz de atingir os meus objectivos.
Sei que um dia vou lá estar, no alto, e vou olhar para todos com a mesma humildade e olhar inocente que olho agora que estou cá em baixo. Sei que serei grande.
E hoje a minha vida deu mais um passo nessa mudança de que vos falo. O meu futuro, tudo o que eu tinha chorado durante um ano, tudo o que eu possa sonhar, estava dependente de 1 de 2 números que eu ia ver em breve. Sabia que o exame de português me tinha corrido mal, por isso, e para criar mais emoção ao meu próprio coração, vi essa nota primeiro: 13. Então lembro-me que parei 10 segundos e pensei “bem Ricardo, a tua vida vai mudar consoante o número que estiver ali ao lado”… era um 18.
E eu comecei imediatamente a chorar. Chorei de alegria. Chorei de orgulho. Chorei de raiva. Chorei de vingança. Tinha aquelas lágrimas contidas desde o anoitecer do dia 19 de Outubro de 2007. E tenho mais. Muitas mais que hei-de libertar a seu tempo.
Lembro-me de ligar o meu ipod para ouvir propositadamente uma música: Walk On, dos U2. Tem um significado inestimável para mim. Saí da escola a sorrir enquanto os óculos escuros me tapavam as lágrimas que teimava em não deixar fugir pelo rosto. Sentei-me na escadaria da igreja que dá de frente com o Liceu Passos Manuel e então libertei as amarras a essas lágrimas… enquanto ouvi aquela música, chorei desalmadamente e ia pensando em tudo o que tinha sido o último ano da minha vida.
Então depois comecei a dizer às pessoas que faziam figas por mim. Primeiro o meu irmão, depois a Joana, a Leonilde e a minha mãe. E por aí fora.
Hoje senti a minha vida a mudar.
Esperem por mim para um dia verem onde vou chegar. Eu tenho coração, talento, alma e força.
E um dia terei sorte. Tenho tudo.
Hoje dei uma chapada de luva branca a muita gente.
Mas aqueles que me querem bem, dei um presente do tamanho do mundo.
Obrigado…
• À minha Mãe com quem chorei tanto abraçados no meu quarto;
• Ao meu irmão André que ao longo de toda a vida tem sido um exemplo para mim e que jamais me abandonou;
• Ao Gui, que sem o saber foi a razão de eu sorrir em tantas noites da minha vida… é o meu filho;
• Aos meus tios Hermínia e Vítor que foram meus pais quando eu precisei, como continuo a precisar;
• À minha prima Sílvia que me dá a mão a toda a hora para que eu nunca tenha a tentação de cair;
• À Joana (Companheira) e ao João Carlos que eu amo como se amam dois irmãos;
• À Ti Nanda, ao Cesário e à Patrícia que, mesmo quando o azar lhes bateu à porta, tiveram sempre algo mais para me oferecer;
• Aos meus pequeninos, o Manel e o João Paulo, que me devolvem a alegria de viver só de os ver sorrir. E isso foi, e é, inexplicavelmente importante na minha vida;
• À Sofia, uma amiga sobre a qual tenho dificuldade em escrever, devido ao carinho enorme que tenho por ela. Ela chorou comigo. Ela apoiou-me sempre.
• Ao Tavares com quem posso confiar e partilhar as minhas lágrimas;
• À Carolina, à Susana, à Marta, ao Luís André, ao Rui Flora, ao Jorge, à Sofia Frazão, à Filipa Pedro e à Inês, que tiveram sempre, mas sempre, uma palavra para mim;
• Ao David que me mostrou como a amizade pode ultrapassar todas as barreiras;
• À Núria que se revelou uma pessoa incrivelmente bonita na hora em que mais precisei;
• Às professoras Leonilde e Cristina, duas mulheres que jamais esquecerei. Obrigada por todas as palavras.
• À Nini, à Raquel, à Marta e ao Ricardo, o melhor que guardo de Coimbra.
• A todos aqueles que me fizeram dar um passo atrás na vida, porque sem eles isto não me daria tanto gozo…